para ouvir

o que surge agora

gostaríamos de ser agora. Muitos estão perdendo amigos e parentes. Muitos se contaminam e se recuperam totalmente, outros têm que lidar com sequelas em seu corpo.

 

Um dia nos lembraremos de tudo isso de uma forma amadurecida, como quem olha para uma cicatriz antiga. No entanto, neste instante estamos em ação dentro do aqui-agora. Carma é ação, apenas isso, não encerra em seu conceito as ideias de bem e mal, carma é ação pura. Isso significa que as suas ações atuais têm o poder de te livrar da culpa, do ressentimento e da tristeza. Imediatamente, momento após momento, isto (agora) está se tornando passado e o quanto mais imediatamente você deixa a sua mente pura (como o carma) mais próximo de estar livre e curado você está.

Carma é ação pura, bem e mal vêm depois. Neste exatíssimo momento você está livre, você é puro nesse sentido. Este total exato momento é o espaço onde você age. A liberdade e a pureza deste instante é você perceber que pode agir dessa ou daquela forma, mudar a sua ação ou simplesmente deixar as coisas acontecerem, o que é também um tipo de ação. Assim você está lidando com os carmas do passado agora, e não só de um passado distante, mas do passado imediato. Os carmas do passado são o que você acabou de fazer, o que você sempre está acabando de fazer, dessa maneira você já se aproxima do aqui-agora. Aproximar o seu coração da pureza da ação altera também o futuro em você. Um círculo virtuoso começa a girar em sua consciência e, por isso mesmo, você o vive cem por cento.

A possibilidade de observar a si mesmo é infinita, essa é a eterna generosidade da lei do Dharma e está sendo oferecida a você. Você pode experimentar os resultados das suas ações a cada instante. Esta é a amplitude autocurativa daqueles que praticam a meditação vazia, aquela que sempre nos traz a consciência para o momento aqui-agora. Esse é o primeiro passo, mas simultâneo a ele existe a possibilidade cármica (ação) de simplesmente não-agir, ou seja, de agir de forma não egoísta no dia a dia. Para não agir de forma egoísta você vai precisar de estar sempre presente, autoperceptivo e autodesapegado. Não é fácil, mas é possível, depende de estar profundamente atento, e isso é a meditação vazia no dia a dia.

Não há outro modo, a autocura, o autoconhecimento, a autopacificação dependem da sua atenção e você não pode dar atenção ontem, um minuto atrás nem amanhã. Mas dando atenção agora você libera o seu caminho em todos os tempos. Todos os tempos se mostram agora quando a devida atenção é dada. Passado, presente e futuro estão livres agora. Você está livre no futuro do passado da pandemia e todas as suas implicações, mesmo que haja cicatrizes.

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Isso não é um texto

Seigen Viana

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Você está lidando com os carmas do futuro agora

Vivemos sempre em um momento único e sem precedentes da história, e agora isso se tornou muito mais evidente. A pandemia escancarou o fato de que cada dia é um dia, de que temos pouquíssimo ou nenhum controle. O tempo se abriu para que possamos viver o momento presente em sua inteireza. Precisamos estar mais conectados à realidade do Dharma e, logo, da Terra, esse é o “controle” possível.   

Os dependentes químicos têm uma estratégia para se livrarem do vício que é declarar para si mesmos que cada dia é mais um dia (sem depender da droga). Então é como se agora nos livrássemos do vício de não prestar atenção ao momento presente. Claramente isso é bem mais nítido e efetivo para aqueles que meditam sobre as condições do vazio (ou a falta delas).

A pandemia deixará marcas profundas na organização da sociedade, na forma como ela é pensada e em cada indivíduo. Perdemos parte da nossa liberdade de ir e vir momentaneamente. Perdemos em parte a possibilidade de expressar o nosso afeto por outras pessoas através do contato físico, do abraço, do aperto de mão e da proximidade. Não podemos mais ser como éramos antes e como