meteoritos

o que surge agora

A crise suprema

Abra uma crise em sua vida. Não espere uma crise existencial extemporânea acontecer. Inicie-se na crise deliberadamente. Entre nela agora, torne-a o seu viver a cada passo e respiração. Prática espiritual verdadeira é entrar nessa crise muito além do papel de vítima. Salte sobre a ideia de vítima e mude-se com tudo o que você tem para dentro desse lugar. Assim você é algo que se coloca à disposição do que é ilimitado. Esta é a crise do apego, a crise do eu - tudo o que você precisa é confiar, ser sincero e não parar.

O que é chamado de crise e que parece inaugurar alguma coisa dolorosa e sofrida nada mais é do que verdadeira espiritualidade. Porque ela é rara inicialmente, parece tão diminuta como o fio de uma navalha, mas depois se amplia, e aquele que entra pela brecha da crise coloca o seu corpo inteiro disponível sob céu do despertar. Os intermináveis afazeres do dia a dia e deveres sociais são como uma luz opaca. Penetrar pela abertura da crise existencial consciente te leva para um breu total, mas só até os olhos se acostumarem a não verem apenas o já visto. Aí então de tanto se aprofundar e imergir no nunca visto de si mesmo, você passa a ver com o coração. Luz e escuridão evanescem.

Não-ação

Não-agindo, você conhece à fundo a impermanência, porque você dessa maneira sai dela. Apenas saindo da sua mente impermanente você pode realmente se ver livre. Você morre junto com o instante, é isso o que já está acontecendo agora. Mas o apego à vida, à ideia de vida, movimento e acúmulo incessantes, te distrai e te tira dessa experiência de transitoriedade do momento. Você está distraído com o externo, está encantado com os movimentos do mundo. Você se tornou esse movimento. Mas quando você para assim tão totalmente, quando nenhum músculo mais se exalta, nenhum pensamento cria domínio e controle, você se encontra mergulhado no inimaginável, no real de si mesmo. Vida e morte já não são opostos e não são senão isto. Aqui, você dá um salto sem sair do lugar, sem se mexer. É um salto para dentro, um salto desde dentro para nenhum lugar. Um salto não-salto é uma ampliação sem medidas da consciência. A consciência pequena e limitada desaguando como uma gota de chuva num rio tranquilo. A consciência pequena do ego, gentilmente se percebendo restrita dentro da transitoriedade da sua própria natureza.

 

 

Tudo o que você vê

Você vê a verdade? Ela está na sua frente. A Verdade é tudo o que não se define pelo isolamento, pela separação. As pessoas esperam acreditar em alguma coisa bem definida, com contornos e limitações pré-estabelecidos. Mas você não precisa. Você não pode fazer nada pela verdade. Você não pode fazer nada para vê-la ou obtê-la em sua inteligência. É porque você é ela e ela é você. A sua inteligência faz parte dela. Essa inteligência que tem o desejo de possuir as coisas pelo conhecimento, é apenas um ponto no universo da verdade infinita, não pode compreendê-la. A compreensão lança as suas redes e nada alcança... Estamos falando da verdade que não permite provas. Ou você desaparece nela, ou nada feito.
 

Fora do tempo é a resposta

Você é um ser sensível, mas ficou sensível demais. Seu coração endureceu pelo sofrimento e ignorância. Você agora sustenta pela crença, o que não existe senão em sua mente e é isso o que impede a felicidade de surgir sem limites. Um corpo de papel de seda levando um coração pesado por tanto acúmulo. Contudo, através da autoconsciência vazia, seu coração, porque nunca bate sozinho, se fortacele. Assim você encontra um coração que é terno e frágil, o que é da qualidade da iluminação.

 

Quando alguma coisa acaba, quando "partiu", "despediu", "não há mais", "nunca mais", quando é "sem volta", "foi embora" e você continua impassível como uma montanha, mutante como uma nuvem, tranquilo como um bebê que nada sabe. Quando você consegue fazer assim, então você está verdadeiramente bem. Quando o que é melhor na sua vida, quando o que parece ser o melhor de tudo tem um fim e você está bem com isso, verdadeiramente em paz interiormente, então você é, simplesmente feliz. Porque nesse momento, você está além de qualquer expectativa, você realmente está aqui, você é agora, o momento sem sofrimentos, e isto é impertubável. É assim porque está fora de tudo o que começa e acaba.

 

Uma profunda consciência da eternidade em você mesmo, não muda nada, mas deixa o seu coração leve e translúcido.

A habilidade de ver e ouvir

Você precisou de uma ideia de "eu" para poder permanecer vivo e seguir em frente nesta vida, desde a infância até agora. Mas segundo o que viemos falando, esta ideia de um "eu" também é transformação, pura transformação. Observe que a identificação do erro está surgindo. Então não há um "eu" que se possa dizer que exista. Antes que você possa identificá-lo ele se transformou. Então podemos chegar à conclusão de que este "eu" efetiva e definitivamente não existe, não da forma como você vinha pensando antes. Você não é nada definido e definitivo hoje e nunca será. Assim, esta ideia de transformar-se em alguma outra coisa melhor ou pior desaparece junto com essa iluminação. Se pudermos retirar de uma pessoa apenas esta ideia entranhada de transformar-se em alguma outra coisa, sobrariam os impulsos puros, impulsos viscerais de corpo e mente. Impulsos atingindo o corpo, atravessando-o, movendo-o. Impulsos chamados desejo. Quem se inicia e se aprofunda na prática da iluminação, vai praticar a habilidade de ver e ouvir os desejos que transpassam seu corpo a todo instante, o dia inteiro. Ver e ouvir sem se prender à eles inicialmente, depois, sem tocá-los sequer. Esta é a prática da iluminação, do não-mais-renascimento. Um atalho para o eterno presente.


 

A meta suprema

Ver por si mesmo é a autorealização espiritual, esta é a meta. Contente-se no caminho mas não confunda este contentamento com o ponto a ser atingido. Não coloque o ponto a ser atingido no futuro, não ache que ele ficou para trás. A prática da iluminação não é a iluminação em si, ainda que portas e janelas abertas cheias de ar e luz tragam felicidade, elas apenas estão se abrindo para a meta última de todos os Budas. Enquanto houver janelas e portas ainda não é a meta. O que você pode fazer com paredes e muros?